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sábado, 4 de outubro de 2014

nomes em mim

A Eugénia vai-se embora e, por isso, ontem, fui jantar com ela, Eugénia, e ainda com a Dora, a Jaqueline, a Marta, o Fial, a Fátima, a Cristina, o Nelson, a Sónia e a Antónia. Por estar com eles lembrei então do Arménio, do Carlos, da Paula Joana, da Alice, do João Miguel, da Maria José, do Sérgio, da Paula, da Raquel, da Elsa, do Marco, do Paulo, do Vitor, do Júlio, da Ana, da Rosa, da Rosa, da Conceição, do Pimentel, do Brandão, da Célia, do Paulo, do Kikas, da Luísa, da Graça, do Vidal, da Maria José, do José António, do Miguel, da Eunice, do Filipe, da Florinda, do Eduardo, da Leonor, da Maria José, do Francisco. Depois, vim para casa para junto da Helena, da Andreia, do João e da Rita e pensei na outra Rita na Lúcia e no Vítor. Lembrei então do Justino, da Amélia, da Anabela, do José, do Jorge, do Pedro, da Brigida, da Conceição, do António e, depois deles, da Maria José, do Joaquim, do Helder, da Helena, da Guida, do Hermínio, da Alice, do Fernando, do Aureliano, do Carlos, do José, da Miquinhas, do Justino, da Mila, do Ernesto, da Sónia. Tantos pensei! Ocorreram-me então o Duarte, a Sandra, a Helena, o Miguel Tolentino, o Oliveira, a Marta, a Ângela, o Pedro Henrique, o Rui, o Vasco, o Branco, o José Bastos, o Nuno Bastos, o Alírio, a Patrícia, a Sandra, a Mónica, a Rute, o Virgílio, o Armando, o Taveira e, claro, também o Campinho, a Vanessa, o Tomás, a Eugénia. Lembrei-me também do almoço de ontem, de ter estado com o Albino e com o Rui Serôdio e, na sequência, da Teresa, do Gamaliel, da Ângela, do Joaquim, da Orlanda, da Diana, da Teresa, da Cristina, do Sérgio, do Amadeu, da Raquel, da Cristina, da Marta e, claro, lembrando-me da Marta, tinha que me ocorrer de imediato o Armando António Alves. Depois, pois então, o Eurico, a Lúcia, o António, o João Luís, a Margarida, o Astro, o Sérgio, a Susana. Lembrando destes, pensei nas viagens que fiz e ocorreram-me logo a Stephanie, a ManYee Kan, a Kimberly, o Nuno, o Duncan, a Monika. Já era tarde, mais do que hora de dormir e lembrei então da Rita, da Diane, do Capela, do Jorge, da Inocência, da Margarida, do André, do Fábio, da Silvina, da Sónia, do Ivo, da Tânia, da Maria, da Dulce, da Elisa, da Ana, da Ana, da Patrícia, da Lurdes, da Angelina, da Sandra, da Paula, da Leonor, da Cândida, da Beatriz, do António, do Carlos, da Luísa, do Jorge, do Zé, do António, do Emanuel, do Pedro, do Marco, do João, da Manuela, da Estefânia, da Natércia, do Tiago. Antes ainda de adormecer, lembrei da Benedita, da Susana, da Helena, do Afonso, da Lurdes, da Mariana, da Fátima, do Miguel Ângelo, da Silvia, da Ana Maria e da Elisa.  Tantos, e não paravam se surgir estes nomes em mim! São nomes que fizeram e vêm fazendo de mim... Vítor.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Serão de domingo

O serão de domingo tem tudo para ser um excelente momento de encontro em família. Nesse dia dormiu tudo (ou quase tudo) até mais tarde e, por isso, o "João Pestana" tarda mais em chegar. Para além disso, dá mesmo vontade de prolongar mais o dia, como se esticássemos o fim-de-semana e fizéssemos adiar a segunda-feira o mais possível. A televisão até poderia dar uma ajuda nesse sentido, criando pretextos para que a família se reunísse em torno de um programa de entretenimento. Como me lembro da minha infância e juventude em que um programa de televisão e uma caixa de "sortido fino" eram o motivo para que nos encontrássemos. Mas, atualmente, três fatores fazem com que o risco seja o de que a televisão seja sim pretexto para que cada um esteja no seu canto: 1. a variedade da programação; 2. a multiplicidade de ecrãs; 3. a concorrência e os horários da programação. Há de facto muitos mais canais e as pessoas podem escolher programas que mais se adequem aos seus gostos e interesses. Esta diversidade e o poder de escolher "o quê" e "quando" ver é aliás, uma das grandes vantagens da televisão de hoje. Mas há os "diretos", e os "primeiros" e os "últimos" episódios, coisas que dá vontade de ver naquele momento para que, no dia seguinte, se possa comentar com o pessoal. Ontem, entre uma série de outras coisas, deu o jogo do Porto, o último episódio da telenovela da SIC, o direto e primeiro episódio da casa dos segredos 5. Não questiono sequer a qualidade de cada um destes conteúdos. O que se passa é que, com tantos ecrãs em casa, cada qual pode decidir ir para um ecrã, sozinho, ver o que lhe apetece: vou para o quarto ver um filme no AXN, vou ver a casa dos segredos no PC, fico na sala a ver o Fator X. Os muitos ecrãs fazem aumentar o individualismo e limitam as possibilidades de encontro entre pessoas. E depois há a concorrência e os horários tardios. Os miúdos têm que se levantar cedo na segunda de manhã (e já agora, os adultos também) e não devem ficar até às tantas para saber quem é expulso ou quem é escolhido pelo público ou como acaba um filme que começou à hora em que se devia estar a ir deitar. Com isto, o serão de domingo que poderia ser um privilegiado momento de encontro de família, pode-se tornar um pesadelo e motivo de verdadeiro conflito ou, pior, de resignação, com cada um para o seu lado. Devemos contrariar isto. São os adultos que devem gerir os recursos e as rotinas da família:
- "Só um ecrã vai estar ligado, vamos conversar e discutir qual o programa que vai ser visto, em família" (assim, até podemos decidir o que está vetado!);
- "Às tantas horas vamos para a cama, se o programa não chegar ao fim, vemos amanhã o resto" (afinal uma das vantagens da tecnologia).
Parece bem?

sábado, 20 de setembro de 2014

Olhando as estrelas

Olhando as estrelas aprendi coisas maravilhosas:
- que umas, as azuis, são as mais novas;
- outras, as vermelhas, as mais velhas;
- e que outras, as castanhas, são de meia idade;
- que a que mais brilha é a Sirius;
- que a Polar indica o Norte;
- que juntas formam constelações;
- a que os antigos deram nomes, conforme o que lhes parecia;
- a identificar e a chamar algumas pelo nome;
- as Ursas (maior e menor);
- a Orion (a minha preferida);
- a Cassiopeia (um W que vai girando no céu);
- que o sol, afinal, é bem pequeno;
- e que vai engolir a terra;
- mas só daqui a bilhões de anos (uff");
- que as cadentes, afinal não são estrelas;
- simples "calhaus" do tamanho de bolas de golfe;
- que as vemos melhor se as olharmos de lado;
- que algumas estão a milhares de anos luz;
- o sol a oito minutos;
- que olhar as estrelas é maravilhoso;
- melhor se com amigos;
- melhor ainda, se de costas deitadas numa rocha na serra da Freita,
- ou caminhando numa rua deserta e escura na serra do Gerês.
Amigos e estrelas combinam mesmo bem!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Laços que não se vêm



Não foram laços de sangue que fizeram os patinhos seguir Konrad Lorenz. Chamou-lhes "imprinting" - assim que saem do ovo, a imagem do primeiro ser com que se deparam fica como que "impressa" e esse ser é por eles adotado como progenitor. No ser humano foi recebendo outros nomes como apego ou vinculação. Descoberta fantástica esta, a de que não é o sangue que nos torna filhos ou pais de alguém. Como é maravilhosa a natureza! Assim, nenhuma cria precisa de ficar orfã e nenhum adulto privado de ser Pai. A mim, a vida, sem que sangue fosse necessário, deu-me uma irmã e uma filha. E que dádiva! Não fui somente eu que as adotei. Também elas me adotaram e ficámos ligados por esses laços que não se vêm. Às vezes, em dias de tempestade como estes que nos têm assolado, vem uma pequena insegurança - será que os laços se vão aguentar, serão eles mais frágeis por não serem lacrados a sangue? Mas não. Rapidamente percebemos que não e a maior das tempestades fica reduzida ao borbulhar num copo de água. São de facto indestrutíveis, são laços que ficam para sempre.


domingo, 14 de setembro de 2014

Reencontros

Há pessoas que nos passam pela vida e no ajudam a tornar naquilo que somos:
- os colegas da escola, com quem partilhámos a dor das reguadas por cada erro no ditado e dos joelhos esfolhados num recreio mal preparado para as nossas brincadeiras;
- os primos emigrados, que voltavam em cada Agosto, nos traziam chocolates  e castelos de areia, e nos faziam perceber o significado de "família alargada";
- os "irmãos escutas", com quem enfrentámos tantos medos e desafiámos impossíveis;
- a malta do "murinho" lá perto de casa, com quem sentíamos pertencer a um grupo e vivíamos as paixões da adolescência;
- os colegas da faculdade, com quem, entre resumos, noitadas, aulas ensonadas e copianços, partilhámos a tarefa de procurar o conhecimento e com quem desfilámos pela avenida, vestidos de caloiros e de doutores;
- o pessoal do Orfeão com quem aprendemos a dançar, descobrimos novos mundos e novos sentidos para a amizade.
Entretanto, as vidas tomam sentidos diferentes e cada um segue o seu caminho.
Mas, depois, coisa do destino ou da ousadia de algum que o decide enfrentar quando o tempo já começa a ser muito e a saudade aperta, lá estamos alguns de nós, sentados à volta de uma mesa farta, barriguinhas mais inchadas e pele mais enrugada, e uma série de crianças que brincam indiferentes ao que ali está a acontecer. De repente, sem dar por isso, volto a ser:
- a criança que se sente confortável por ter com quem partilhar a dor;
- o menino que saboreia os chocolates trazidos da Alemanha;
- o rapaz que percebe que os impossíveis são para desafiar [não é que o o Tó está mesmo no Gabão?];
- o jovem que sente que tem ali o SEU grupo de amigos;
- o estudante que volta a aprender e que partilha o seu conhecimento com os colegas;
- o orfeonista que dançava, cantava (mesmo que desafinado) e que, depois de uma sangria bem bebida, até vestia toga.
Ui! Estarei a ficar velho?
Não!
Estou vivo,
e rejuvenesço em cada reencontro.

domingo, 7 de setembro de 2014

"Raios e Coriscos"


Por estes dias estive numa destas reuniões. Quem nunca esteve? Começa com um silêncio constrangedor. Sente-se o nervosinho no ar à espera da deixa que funcione como ignição. Depois começam os "raios e coriscos". E tudo serve para arremesso: divergências antigas não resolvidas, vaidades e triunfos pessoais; chavões éticos e morais; galões e conceitos (pseudo)científicos; leis, regulamentos, estatutos e outras regras tantas vezes esquecidos mas que agora surgem como os "10 mandamentos" da organização que precisam de ser protegidos dos hereges que os desafiam. Entretanto alguém, que até tem estado mais por fora, diz: "ei, já repararam que até estão todos a dizer a mesma coisa?". Um súbito silêncio... e lá se volta ao mesmo. Há quem se levante e vá embora. Há quem amue e se cale. Há quem assiste estarrecido - "ups, afinal isto é assim?". Há quem ache que por iluminação divina todos se devem calar para ouvir as suas palavras sábias e colaboradoras. E entretanto esquece-se o objetivo da reunião, os problemas ficam por resolver, as tarefas por dividir e a organização vai definhando. No entanto, todos ficarão de consciência tranquila - a culpa há-de ser sempre do outro. Para uns a culpa é dos déspotas da Direção que são uns arrogantes e incompetentes, só fazem o que lhes apetece e que foram para ali pelo prazer de mandar e para fazer afundar o barco; que antes de ir para a Direção eram uma coisa e agora que foram eleitos são outra. Para os outros a culpa é dos baldas, que nunca fazem nada e só estão ali para atrapalhar e para "ir buscar o seu"; que estão sempre do contra; que quando eram Direção eram uma coisa e que agora que já não o são estão completamente diferentes. Haja paciência!