quinta-feira, 18 de setembro de 2014
Laços que não se vêm
Não foram laços de sangue que fizeram os patinhos seguir Konrad Lorenz. Chamou-lhes "imprinting" - assim que saem do ovo, a imagem do primeiro ser com que se deparam fica como que "impressa" e esse ser é por eles adotado como progenitor. No ser humano foi recebendo outros nomes como apego ou vinculação. Descoberta fantástica esta, a de que não é o sangue que nos torna filhos ou pais de alguém. Como é maravilhosa a natureza! Assim, nenhuma cria precisa de ficar orfã e nenhum adulto privado de ser Pai. A mim, a vida, sem que sangue fosse necessário, deu-me uma irmã e uma filha. E que dádiva! Não fui somente eu que as adotei. Também elas me adotaram e ficámos ligados por esses laços que não se vêm. Às vezes, em dias de tempestade como estes que nos têm assolado, vem uma pequena insegurança - será que os laços se vão aguentar, serão eles mais frágeis por não serem lacrados a sangue? Mas não. Rapidamente percebemos que não e a maior das tempestades fica reduzida ao borbulhar num copo de água. São de facto indestrutíveis, são laços que ficam para sempre.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)


Sem comentários:
Enviar um comentário