Primeiro dia do novo ano escolar. Levantar mais cedo, mas o mais cedo não é cedo o suficiente. E os passos ensonados, apesar de mais acelerados que o costume, também não são rápidos o suficiente. E começa a correria. O cabelo mal penteado, os dentes por lavar, os cereais que ficam na taça, o café entornado na toalha, o lanche ainda por fazer, o computador ainda por arrumar na mochila (e o carregador que não aparece!), e como é o almoço de amanhã, tem de tirar a senha hoje? Com isto, a tempestade que está lá fora é irrisória quando comparada com o furacão que vira do avesso o humor de toda a gente. E o relógio que não deixa de andar. Já são 8:10 e a menina entra às 8:25. Bolas, vai chegar atrasada logo no primeiro dia. Talvez não, talvez não haja trânsito. Mas há, claro! Ainda por cima chove copiosamente. O caminho faz-se devagarinho, muito devagarinho. E parece que toda a gente resolveu meter-se no nosso caminho. "E o papel que trouxeste para preencher, está direitinho?". "Hi, não, esqueci-me". Com a letra mal amanhada vai preenchendo o impresso enquanto o carro avança aos solavancos. Chegamos. Seis minutos de atraso. A professora acabou de entrar com os meninos. E o impresso ainda não está todo preenchido. "Dá cá, eu acabo". Pronto. De puxão sai do carro. Chega ao portão. Esqueceu-se da carteira no carro. Volta atrás a correr. "Isto de ir de carteirinha para a escola ainda vai dar para o torto" (já deu, logo no primeiro dia!). Entrou. Ficou. De regresso ao carro. Uff. Pela primeira vez na última hora, respiro fundo. Percebo que nem tempo para escrever. Amanhã temos que acordar mais cedo!

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