terça-feira, 2 de setembro de 2014

Motivação para aprender no ensino superior

Estou na trabalhar na comunicação que eu e a minha colega Benedita faremos na sexta-feira, dia 5, no Congresso Nacional de Práticas Pedagógicas no Ensino Superior.14 - "Criação e avaliação pelos pares de vídeos pedagógicos no ensino/aprendizagem da Microbiologia". Com ela partilho a vontade de procurar a melhor forma de promover uma aprendizagem auto-regulada nos nossos estudantes, num processo centrado não neles, estudantes, não é nós, docentes, mas na aprendizagem. Por isso, quando me pediu ajuda para colaborar neste processo, não hesitei. O que foi feito: 1. os estudantes elaboraram pequenos vídeos sobre os conteúdos da unidade curricular; 2. cada um deles avaliou os vídeos dos colegas; 3. fizeram uma avaliação da sua própria motivação enquanto realizavam o trabalho. Numa aula com direito a pipocas e tudo, foi possível perceber a criatividade, humor, e rigor cientifico patentes em cada um dos vídeos, indicadores de um processo de construção certamente bastante investido. Ao avaliar os vídeos, os alunos atribuíram classificações mais baixas que os próprios docentes (revelador da isenção e seriedade com que assumiram a responsabilidade de contribuírem para o processo de avaliação). Demonstraram ainda elevados níveis de motivação, destacando-se o desafio sentido na realização desta tarefa. Vale a pena pensar em estratégias ativas de aprendizagem, dar o material e a orientação para que os estudantes sejam os principais agentes no processo de atingirem os seus próprios objetivos - é o "scaffolding" de que fala Jerome Bruner, assumindo o docente o papel de "parceiro mais competente de interação", tal como defendia Vygotsky. Um dos exemplos que tenho vindo a ensaiar nas minhas aulas é a construção das máscaras, as "personas", a propósito do tema "personalidade". Com este exercício, a propósito da construção de uma máscara e da sua caracterização, os estudantes têm a oportunidade de aprender e utilizar os conceitos sobre este domínio através da construção de um produto, de um projeto coletivo. Os ganhos em termos de envolvimento e integração dos conceitos são evidentes. Naturalmente que tal não implica um alheamento do professor - o apoio na seleção de fontes e de materiais de pesquisa e a dispobilidade ativa para orientar a elaboração das tarefas é essencial. É desta forma que encaro o meu papel enquanto docente do ensino superior.


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